
Edward Mãos-de-Tesoura é um filme de 1990, dirigido por Tim Burton e estrelado por Johnny Depp. Recebeu uma indicação ao Oscar de melhor maquiagem, enquanto Depp foi indicado ao prêmio de melhor ator - comédia/musical no Globo de Ouro.
Tim Burton possui uma carreira controversa, alterna bons momentos; "Batman", "A Noiva-Cadáver" e "Peixe Grande", entre outros, e maus momentos; o fraco "Marte Ataca!", o remake desnecessário de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" e o desprezível "O Planeta dos Macacos", em uma tentativa falha de reboot da franquia. Enquanto isso, Johnny Depp possui uma carreira mais sólida, acumulando três indicações ao Oscar e sete indicações ao Globo de Ouro, Depp se mostra competente mesmo em alguns dos fracos filmes de seu amigo pessoal Tim Burton, e mais competente ainda quando encarna personagens menos "freak", como no bom "Em busca de terra do nunca" e no recente "Inimigos públicos", além de suas memoráveis atuações como o pirata Jack Sparrow na franquia "Piratas do caribe".
Após o sucesso de "Batman" em 1989, Tim Burton resolveu filmar "Edward Mãos de Tesoura", um antigo projeto seu, um roteiro feito em parceria com Caroline Thompson. O tom de "conto de fadas" do filme já é visível em seu ínicio, uma garotinha pergunta à sua avó a origem da neve, a senhora então lhe conta história de Edward (Johnny Depp), a criação inacabada de um inventor, inacabada pois Edward possui tesouras no lugar das mãos. Peg Boggs (Diane Weist) é uma vendedora da Avon que ao não conseguir fazer lucros em sua vizinhança resolve ir até uma mansão na colina, aparentemente abandonada, lá encontra Edward, e diante de sua condição adversa, decide levá-lo para sua casa e cuidar dele.
É interessante pontuar o uso de cores, a cidade é cheia delas, casas rosas, verdes e amarelas contrastam com a mansão de Edward, cinza e obscura. Contrasta-se também as roupas dos habitantes, todas muito chamativas, em um tom "anos 80", ao contrário da figura de Edward, pálida e obscura, quase gótica com a atuação magistral de Depp. Apesar dos problemas para se adaptar, Edward encontra seu lugar como cabeleireiro e jardineiro da pequena cidade. Edward passa a nutrir uma paixão platônica pela filha de Peg, Kim (Winona Ryder), causando ciúmes no namorado dela, Jim (Anthony Michael Hall, de O Clube dos Cinco), que envolve Edward em um assalto. A opinião da vizinhança que tinha saído de estranheza para admiração, agora se torna a de ódio e medo, a história se torna uma versão moderna do conto de Frankenstein, com direito até a uma perseguição da multidão enfurecida em direção à mansão.Outro conto que cerqueia o enredo, é o de "A Bela e a Fera", Kim primeiramente estranha a figura de Edward, aos poucos percebe a profundidade do jovem e também se apaixona, mas diferente da história adaptada pela Disney, aqui a relação de Kim e Edward fica apenas na memória, Edward não se torna magicamente um humano normal, e os empecilhos da relação se tornam fortes demais. Como vemos no final, a senhora que conta a história é Kim, quando questionada pela neta sobre o porquê de não ir visitar Edward, ela diz que prefere que ele se lembre dela jovem. Em uma última cena, vemos que Edward não envelhece (uma casuística que está na moda agora; ele não envelhece, ela envelhece, histórias de vampiros, blé), e a neve que agora cai na cidade surge das esculturas de gelo que Edward faz em sua mansão, no alto da colina.

Não nego que a história soa um pouco forçada, a que ponto uma vendedora precisa estar desesperada para ir até o castelo mal-assombrado da cidade tentar vender algo? E ainda levar Edward para sua casa, a fim de cuidar dele. Além disso, o quão excitante para uma mulher de meia-idade como Joyce (Kathy Baker) é um jovem de aspecto pálido, quieto e com tesouras no lugar das mãos? Durante o filme, Joyce até mesmo tenta seduzir Edward. Porém, o tom de fantasia usado no filme, a construção dos personagens, a trilha sonora e mesmo a fotografia tornam essa inverossimilhança totalmente verossímil. Em um de seus primeiros trabalhos, e talvez o mais maduro deles, Tim Burton nos presenteia com sua obra-prima, um conto-de-fadas moderno com um tom quase que perfeito, sem apelar para a pieguice.
Nota do Autor: 5/5













